"Em cada Casa uma Canção, em cada Canção uma Saudade"

Nome Completo: Joubert Cortines de Freitas

Residência: Rio de Janeiro.

Outra Atividade: Professor Aposentado.

Opinião sobre a Serenata em Conservatória:
Estou vinculado a Conservatória há 62 anos. Cheguei aqui em 1938 com meu irmão José Borges, eu com 17 e ele com 16 anos. Nesta época nós já encontramos a Serenata na rua, que era a chamada "Cantiga Janela" e nós nos encorporamos a esse tipo de atividade e estamos até hoje. Meus finais de semana são dedicados exclusivamente às Serenatas de Conservatória.

Conservatória nos atraiu pelo fato de um grande amigo nosso ter se mudado para cá, ele tinha um filho que era seresteiro, chamado Eraldo Delgado e assim, nós conhecemos este lugar e tomamos contato com os primeiros seresteiros que encontramos, que foram: HEMÉRITO SILVA, IRINEU NOGUEIRA, BARRA SOBRINHO e HEITOR SIMÕES. Nós viemos de uma experiência de serenata anterior, meu pai era o Agente Ferroviário Freitas Sobrinho e tinha o hábito de cantar a noite caminhando pela linha do trem, as margens do Rio Preto em Santa Rosa e Barbosa Gonçalves, distrito de Valença.

Como o Museu não estava ligado a nenhum tipo de atividade que envolvesse dinheiro ou política, foi havendo uma divisão, ficou no Museu aquele que gosta de cantar, tocar e não tem nenhum vínculo com prefeitura, Estado, casa comercial e hotel. Os outros seresteiros se deslocaram para cantar nos hotéis. Nossa meta principal é manter a tradição da serenata, que é o canto de músicas românticas pelas ruas, especialmente dando ênfase às músicas de CÂNDIDO DAS NEVES, que foi um seresteiro bucólico quando diz: "O luar cai sobre a mata, qual uma chuva de prata de raríssimo explendor", refere-se às folhas da embaúba que são prateadas por baixo, produzindo reflexos ao luar. Eu acho que a serenata de Conservatória não tem dono, ela faz parte do "permanente" do lugar, ela está nas ruas e sempre em sintonia com as pessoas do museu, diferente dos bares e restaurantes que fazem parte do "transitório", pois hoje estão aqui e amanhã, sabe-se lá onde estarão.