"Em cada Casa uma Canção, em cada Canção uma Saudade"

CHUÁ-CHUÁ
(Pedro de Sá Pereira-Ary Pavão)

Deixa a cidade, formosa morena,
linda pequena, e volta ao sertão,
beber a àgua da fonte que canta,
que se levanta do meio do chão.
Se tu nasceste, cabocla cheirosa,
cheirando à rosa do peito da terra,
volta pra vida serena da roça,
daquela palhoça do alto da serra.

E a fonte a "cantá":
chuá... chuá...
E as àgua a "corré":
chué...chué...
parece que alguém, que cheio de mágoa
deixasse - quem há de dizer?
A saudade no meio das àguas rolando, também.

A lua branca de luz prateada
faz a jornada, no alto dos céus,
como se fosse uma sombra altaneira
da cachoeira, fazendo escarcéus...
Quando essa luz, , lá na altura distante,
loira, ofegante, no poente cair,
dá-me essa trova, que o pinho descerra,
que eu volto pra serra,
que eu quero partir.

 

 

 

Imprima e Cante com os Seresteiros de Conservatória