"Em cada Casa uma Canção, em cada Canção uma Saudade"

DILETA (AO LUAR)
(Cândido das Neves)

Esta noite prateada,
minha terna e doce amada.
A chamar-te me insinua,
nos acordes desta lira,
que de amor geme e suspira
ante o albor níveo da lua...
O rendado da neblina
mais parece uma cortina
numa festa de noivado.
A lua é a noiva bela,
recostada na janela
de um palácio constelado...

Desperta! Vem matar o meu desejo,
a minh`alma vaga incerta,
à procura do teu beijo.
Dileta! Tu formosa e eu poeta,
quero para os tristes versos meus
as rimas dos beijos teus.

Que beleza nas estrelas!
oh, se tu pudesse vê-las,
como estão no céu sorrindo,
espreitanto com cautela
pelas frestas da janela
do quarto onde estás dormindo.
Minh`alma dorme sonhando,
geme e chora te chamando
pelo espaço, como louca.
Ah, se a aurora despontasse,
quem dera que me encontrasse,
a beijar a tua boca.

A natureza te chama,
o meu peito já reclama
a quentura dos teus seios.
Os astros já são escassos,
vem, sufoca-me em teus braços
antes que eu morra de anseios.
As estrelas cintilantes
são lanternas dos amantes,
pelo espaço a flutuar...
Como Deus é inspirado
- inventou para o pecado
estas noites de luar!

 

 

 

Imprima e Cante com os Seresteiros de Conservatória