"Em cada Casa uma Canção, em cada Canção uma Saudade"

RASGUEI O TEU RETRATO
(Cândido das Neves)

Tu disseste em juramento
entre o véu do esquecimento,
que o meu nome é uma visão...
Tu tiveste a impiedade
de sorrir desta saudade
que me mata o coração!
Se o retrato tu me deste,
foi zombando, tu disseste
do amor que te ofertei...
E eu, em lágrimas desfeito,
quantas vezes, junto ao peito,
teu retrato conservei!

Eu sei também ser ingrato;
meu coração, bem vês, já não te quer.
Eu, ontem rasguei o teu retrato,
ajoelhado aos pés de outra mulher!

Eu que tanto te queria,
eu que tive a covardia
de chorar este amargor,
trago aqui, despedaçado,
o teu retrato, pois, vingado,
hoje está o meu amor...
As sentenças são extremas,
faça o mesmo aos meus poemas
rasgue os versos que te fiz...
Não te comova o meu pranto,
pois quem te amou tanto, tanto,
foi um doido, um infeliz!

 

 

Imprima e Cante com os Seresteiros de Conservatória