"Em cada Casa uma Canção, em cada Canção uma Saudade"

MATRIZ DE SANTO ANTONIO

Em 1803, foi construída em Conservatória, uma capela próxima ao local onde existe hoje a igreja Matriz atual. Era uma capela de pau-a-pique e coberta de sapê e serviu, por muito tempo, para catequizar os índios aqui aldeados.Um registro importante é que em 1909, retirado do livro de Luiz Damasceno Ferreira (HISTÓRIA DE VALENÇA) consta o registro do batismo, naquele ano, de 59 pessoas, das quais 42 eram índios que tiveram como padrinhos de batismo Ignácio de Souza Werneck e Anna Joaquina, irmã do capelão Manoel Gomes Leal, que oficiou os batizados tendo como fato pitoresco o batismo do Cacique TANGUARÁ que passou a chamar-se Hyppólito.Crescia o movimento na aldeia e nos conta Noronha Santos no seu livro que Dom João VI mandou domarcar a sesmaria com uma légua em quadra no sertão denominado CONSERVATÓRIA ,
onde havia, em 1827, uma capela curada, já que, o antigo povoado de Sto Antonio do Rio Bonito, fôra elevado à categoria de CURATO e, por portaria de 05 de fevereiro de 1803, foi o Pe. Manoel Gomes Leal nomeado Capelão dos índios por autorização do Bispo D, José Joaquim Justiniano, para construir a capela e praticar todos os atos religiosos para o bem da evangelização dos índios que por aqui habitavam. Eram os índios da tribo ARARÍS.
A referida capela foi destruída por um incêndio em 1838. Sem um local, no centro, para as celebrações, as Missas, Batizados, Casamentos, etc, passaram a ser realizados nas capelas das fazendas próximas, sendo que, neste ano (1838) o CURATO de Sto Antonio do Rio Bonito foi elevado à categoria de PARÓQUIA e em 19 de março desse mesmo ano, Sto Antonio do Rio Bonito passou a ser FREGUESIA.
Foi então que, por iniciativa do comendador Anastácio Leite Ribeiro, Francisco Lite Ribeiro, Floriano Leite Ribeiro e outros, os moradores mais abastados da região, resolveram erguer um templo paroquial parao padroeiro Sto Antonio, em substituição à capela incendiada.
E em 1850, foi feita uma subscrição para angariar donativos para a construção da igreja Matriz da freguesia de Sto Antonio do Rio Bonito. A iniciativa foi um sucesso, tendo sido arrecadada a quantia total de 23.461.000 (vinte e três contas e quatrocentos e sessenta e um mil réis). Além dessa subscrição do povo local, o governo da província do Rio de Janeiro, pelo decreto de num. 613, de 13 de outubro de 1853, autorizou um auxílio um auxílio através de consignação mensal de 300$300 para a continuidade das obras da Matriz, obras essas realizadas pelos engenheiros, pdreiros, carpinteiros e artesões vindos de Portugal que contaram com a ajuda de mão-de-obra dos escravos locais.
As pedras para a construção da Matriz foram trazidas da fazenda São Luiz, que foi de propriedade da família Rocha e foram transportadas num primitivo veículo de transporte usado na época, denominado ZORRA, que era um gancho de árvore puxado por uma corrente atrelada a canga de uma junta de bois.
A igreja Matriz tem as seguintes medidas: 23m de frente, 36m de fundos e 25m de altura no seu ponto mais alto. E uma obra toda em pedra de cantaria, sendo que as pedras das pareder têm 1,60m, de espessura. Um fato marcante aconteceu durante a sua construção, que foi a morte do grande benemérito que doou o terreno para a construção da Matriz, ANASTÁCIO LEITE RIBEIRO, fato que entristeceu toda a população da freguesia.
Depois de 18 anos de trabalhos demorados, a igreja Matriz de Sto Antonio do Rio Bonito foi inaugurada. A Matriz sofreu sua primeira reforma em 1874, ampliando-se em 1882 o coro. Pelo decreto 2.987, de 23 de outubro de 1888 o governo da Província do Rio de Janeiro concedeu o auxílio financeira para o conserto da Matriz.
Em 16 de outubro de 1893 concedeu a Câmara Municipal de Valença a quantia de 1.000$000 para o término das obras (ornamentação dos altares e construção do púlpito). Internamente o templo dispõe de espaçosa Nave Central, mais o amplo Presbítero com um lindo Altar-Mor, mais 4 altares laterais construídos com a participação dos fiéis que dedicavam os seus altares à veneração dos seus santos de devoção, entre eles> N.S. das Neves, S. Sebastião,S. Bento, N. Sa da Conceição, S, José, S. Luiz, S. Manoel, Sant´Ana, S. João Batista, N.S. das Dores, S. Pedro, S. Roque e N.S. do Rosário.
Do lado direito do Presbítero fica a antiga capela do Senhor dos Passos e N.Sa das Dores, usada por muito tempo como sacristia e hoje abriga o Museu Sacro da Paróquia de Santo Antonio. Do lado esquerdo do Presbítero fica a Capela do Santíssimo Sacramento (onde são guardadas, no sacrário, as hóstias consagradas) e também dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Entrando-se no templo encontramos à esquerda o BATISTÉRIO com uma primitiva pia batismal toda de mármore de Carrara, e à direita de quem entra encontra-se a escadaria que dá acesso ao Coro e aos sinos.
Voltando um pouco no tempo, vamos falar da construção do ADRO DA IGREJA, muito espaçoso com o muro construído, em grande parte, também em pedras, principalmente suas colunas que são em pedras artisticamente trabalhadas. A comunicação do ADRO com a rua em frente é feita por uma escada com 5 degraus de pedra, toda em cantaria. Do período de 1893 a 1928, pouco sabemos. Através do vigário José Custódio Pereira Barros, auxiliado pela LIGA CATÓLICA, recentemente criada, foram feitas obras de pintura na igreja, realizadas por Bené de Almeida. Por volta de 1938 foi realizada a substituição do antigo assoalho de madeira pelo atual piso de ladrilhos, serviço esse executado pelo renomado construtor João Brandão.
Novas pinturas foram feitas a posterior: por Menezes; Biota e outras artistas da pintura. Nos anos 70 sofreu a igreja a reforma do telhado. Por um erro (falta de conhecimento histórico) foram trocadas as originais telhas coloniais pelas atuais, mais modernas, que descaracterizam o estilo das igrejas antigas, como era a nossa Matriz. Essa obra foi executada pelo saudoso construtor ANTÔNIO COUTO e seus colaboradores, sendo que, se dependesse da vontade dele (Antonio Couto) as telhas antigas não teriam sido trocadas. Outras obras dignas de registro foram as recuperações de diversas imagens dos nossos santos realizadas pelo nosso conceituado artista MARIO LUIZ DA SILVA.
Consta nos livros da igreja que a nossa Paróquia teve diversas irmandades, entre elas: a primeira a ser fundada: "IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO", fundada em 15 de julho de 1853 por Anastácio Leite Ribeiro e aprovada pelo Bispo D. Manoel do Monte Rodrigues (Conde de Irajá) em 13 de janeiro de 1885. Em 05 de setembro de 1902 foi criada a "IRMANDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS", quando era vigário o Pe. Ambrósio Amâncio de Souza Coutinho. A primeira presidente dessa irmandade foi a Sra. Belmira Carlota de Almeida. Existe, ainda hoje, no nosso Museu Sacro, uma foto emoldurada das fundadoras dessa Irmandade. Mais recentemente foram criadas: LIGA CATÓLICA, FILHAS DE MARIA e outras.
Outrora, tinha a igreja muitos objetos de valor intrínseco e histórico (castiçais de prata; bacia e jarra de prata do Batistério; vasos de prata; cálices e patenas de ouro; as grades de ferro trabalhado que circundavam o muro do adro da igreja; etc), que desepareceram com o tempo.
Atualmente, ao festejarmos o ano jubilar de 2000 anos de nascimento de Jesus e comemorando os 150 anos do lançamento da pedra fundamental da atual Matriz, foi elaborado um projeto ambicioso para uma reforma geral do nosso templo. Esse projeto contou com a iniciativa do nosso atual pároco, Pe. Edílson de Barros e o apoio e inspiração do seu antecessor Pe. Medoro de Oliveira. O referido projeto foi elaborado com a supervisão técnica da Dra. Isabel, diretoda do Museu da Era de Vassouras e responsável regional do Instituto Nacional do Museu Histórico. O projeto elaborado foi aprovado pelo nosso atual Bispo Diocesano, D. Elias Manning.
A atual reforma da igreja Matriz só foi possível graças as apoio recebido, entre os quais: a Prefeitura Municipal de Valença, que cedeu quase que a totalidade da mão-de-obra; o Grupo Casa Síria de Barra do Piraí que emprestou os andaimes metálicos; a ajuda financeira dos turistas que nos visitam e do povo em geral. Destaque especial, nesta obra, é de justiça que seja dado ao Paulinho Nogueira, que se dedicou de corpo e alma para levar este projeto a bom termo e, para isso, contou com a valiosa colaboração de: Marcelo Nogueira(seu filho); Ademir; Ricardo; Rubens; Paulo Henrique (linguinha) e gente do povo que, voluntariamente, colaboraram na limpeza final da igreja.
Queremos registrar que, nas 4 últimas reformas da igreja, contamos com a colaboração inistimável da Prefeitura, durante as gestões dos Prefeitos: Clóvis Corrêa da Silva; José Gomes Graciosa e Fernando Pereira Graça )2 vezes.
Milhares de pessoas trabalharam e ajudaram a conservar este templo sagrado e histórico até os dias de hoje. São 150 anos de existência onde o povo católico pôde venerar seus santos de devoção e participar dos atos litúrgicos; Missas, Casamentos, Batizados, Exéquias e demais sacramentos da Igreja Católica. Que nosso padroeiro Santo Antonio interceda a Deus para que o povo de Conservatória continue na sua generosidade e fé cristã.

(Texto de Victor Emmanuel Couto e Helvécio José Marques)